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Archive for actividades comunicação

O feitiço do conhecimento

Nunca vos aconteceu falar ou estar a ouvir um “expert” numa determinada área que embora todo entusiasmado explica os como e os porquês não perceberem nada?

Isso acontece-me muitas vezes com a minha irmã médica quando está com as amigas que são também médicas e começam a falar e discutir sobre medicamentos, doenças e coisas várias da medicina.

Nesta newsletter já fiz referência a uma conferência de alguns anos atrás de um economista que montou uma apresentação em que 90% da plateia não estava por dentro do que ele queria dizer por usar termos técnicos demais.

A isso, em Inglês, chamam “The Curse of Knowledge” (o feitiço do conhecimento) e acontece sobretudo quando somos bons conhecedores de alguma área ou temas que não somos capazes de entender e explicar a quem ainda está no nível básico a área ou o tema.

                            

Mas, porquê é que isso acontece?

Algumas vezes presumimos que algumas coisas são o BÊ ÁA BÁ e que se fizermos referência ou contextualizarmos o assunto que estamos tratando desde o nível mais básico vai significar que afinal não somos grandes conhecedores da área e que os “poucos experts” que estarão a ver-nos apresentar vão achar que não somos do seu nível.

Quando temos uma plateia de “experts” e “entrantes” temos que saber harmonizar as coisas de modo a satisfazer ambos. Nem venham dizer-me que não é possível pois é.

Como fazer isso?

Tudo está na contextualização do tema passando por cobrir o “básico” e aos poucos “sofisticando” a explicação.

Começando pelo básico vai ajudar os “entrantes” a perceberem o porquê, enquanto ao mesmo tempo dará a oportunidade aos “experts” de reconhecerem esse básico de acordo com os seus conhecimentos.

O que separa os “entrantes” dos “experts”?

Nível básico (porquê?)                                Nível Expert (como funciona?)

 A  B  C  D  E  F  G  H  I  J  K  L  M  N  O  P  Q  R  S  T  U  V  X  Y  Z

 

Quando o nível de conhecimento está entre o A e K (os entrantes) o que mais interessa é entenderem o porquê. Mais á direita (a partir do nível K) a plateia já tem um conhecimento básico e dos porquês e agora estão mais interessados a saber o como funciona.

Exemplo, duas médicas poderão estar a falar sobre práticas de higiene no Hospital. Sendo as duas médicas “experts” não precisam trocar ideias sobre os porquês da necessidade de se ter uma boa higiene no Hospital e estarão mais interessadas e focalizadas em “como” garantir essa higiene (através de procedimentos e práticas hospitalares).

No nível básico (A B  C D E), a maioria das pessoas podem não ter uma ideia do porquê seja importante a prática hospitalar. Para o nível básico precisamos explicar por exemplo que muitos doentes ao entrarem no Hospital com uma doença acabam por apanhar outras, e, que muitas dessas situações acontecem porque as enfermeiras e médicos não usam luvas ou porque as casas de banho não são limpas com a devida frequência. Isto é, temos que explicar “os porquês” se deverão interessar.

Quanto aos “experts” (das letras S T para frente) interessa e muito ouvir sobre “como funciona”.

É necessário entender que se os “entrantes” não perceberem o porquê das coisas eles nunca irão entender o “como”, e isso acontece infelizmente muitas vezes (como no exemplo do economista).

Em conclusão para combater “o feitiço do conhecimento” aprende a explicar primeiro os porquês e depois entra no como funciona.

É preciso contextualizar o porquê comemoramos amanhã o dia da mulher? Sim, porque mulher é mãe, esposa, filha …

Como funciona? Um beijo, um carinho, um telefonema, uma flor …

Aquele abraço,

Nuno

 

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Observa o teu peixe

Imagem Observa o teu peixe

Observa o teu peixe

Dizem que o grande naturalista e professor Louis Agassiz da Universidade de Harvard gostava de fazer um teste com os novos estudantes que ficou conhecido como “Observa o teu peixe”. Ele tirava um peixe de um jarro e metia à frente do estudante em cima de um pano na sua mesa e lhe deixava com a frase “Observa o teu peixe”.

 

Mais tarde, de regresso, perguntava ao estudante: o que viste? O estudante dizia que não tinha visto muito, e ele então deixava-o outra vez com a frase “Observa o teu peixe” e ia-se embora.

 

Esse ritual poderia durar por dias e dias e os estudantes sem compreender o que queria deles o professor. Aos poucos iam descobrindo que o peixe tinha duas barbatanas, uma de cada lado, tinha órgãos aos pares e assim por diante e ao dizer isso, o professor anuía “claro, claro” e deixava-os com a frase “Observa o teu peixe”.

 

Muitos de nós quando temos uma apresentação a fazer ou um problema por resolver saltamos logo para o Powerpoint ou começando a elaborar uma solução sem investir o tempo para “Observar o nosso peixe”.

 

Ao preparar a nossa apresentação temos que dedicar o tempo a perceber o contexto do tema para o público-alvo da apresentação, “observando” com olhos de ver o que realmente está em jogo.

 

Se somos convidados a falar sobre algum tema para uma determinada plateia devemos tentar “observar” o tema do ponto de vista de quem vai lá estar (o teu público) para entender quando se fala no tema o que eles “observam” e esperam, e como essas “observações” os faz sentir (que emoções desperta).

 

Para garantir uma apresentação de sucesso devemos também “observar” como é que o público se interpretará e agirá entre si. Afinal, muitas vezes, vamos para uma apresentação não para ouvir ou saber sobre o tema, mas sim porque fulano ou sicrano vão estar aí (os interesses em jogo dos participantes e o fazer parte do ambiente).

 

Alguém poderia estar a ir para um atelier ou workshop porque sabe que terá a oportunidade de ver ou falar com o Administrador da empresa XYZ, ou o Ministro ABC que poderão lhe abrir as portas de que precise (seja em termos de vendas ou de influenciação).

 

Outra pessoa estaria indo para o evento para “observar” quem esteve a conversar com quem, ou quem sentou-se na primeira fila ou quem chegou atrasado, para dessas “observações” tentar perceber e deduzir o porquê está acontecendo isso ou aquilo na sociedade ou no ambiente de trabalho.

 

As nossas “observações” não podem ficar por aí. Convém “observar” se seremos sozinhos a apresentar ou estarão outros e tentar perceber o porquê o anfitrião do evento resolveu convidar seja nós como também os outros apresentadores. Todas as pessoas têm uma agenda, e a do anfitrião tem que ser bem “observada” (o porquê da realização do evento).

 

“Observar” a agenda do anfitrião deve ser feito analisando um contexto temporal para entender o que originou a realização do evento (será uma resposta ou reacção a algo que aconteceu num passado ou estará a antecipar algo num futuro). A agenda tem um objectivo que pode estar na sua fase generalista ou específica e um bom apresentador investe tempo em “observá-la”.

 

O anfitrião, como pessoa ou profissional poderá deixar transparecer as suas intenções e objectivos se levarmos tempo a “observar-lhe” em termos de como nos relacionamos (no caso exista um relacionamento anterior) e “observando” o como, o quando e o quê nos propõe para apresentar.

 

“Observa o teu peixe” no trabalho, na Televisão, nos Jornais, na Internet, em família, com os amigos e descobrirás que muitas coisas passam-se sob o teu nariz sem que te dês conta.

 

Esses pequenos parágrafos servem para vos inspirar na “arte da observação” seja na preparação de uma apresentação, na abordagem a algum problema ou vivendo as nossas vidas, pretendendo tão-somente alertar que muitas vezes com uma “observação” direccionada e paciente conseguimos uma maior compreensão e introspecção do mundo em que estamos podendo colher assim melhores benefícios para as nossas vidas.

 

Aquele abraço,

Nuno

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Nha Pikinina

capuchinho

As férias escolares da minha e infância e adolescência eram passadas com a minha avó paterna em Tarrafal de Santiago.

 

Minha avó, Nha Fifi, vivia sozinha durante o ano no seu casarão tendo uma casinha dos fundos aonde morava Nha Pikinina, senhora que lhe ajudava na sua horta e fazia-lhe companhia.

 

Nha Pikinina, uma mulherzinha pequena e desdentada sempre com cabeça protegida pelo seu lenço atraia a nossa atenção (com as minhas irmãs) durante a noite dentro com as suas histórias contadas no quintal da casa entre sombras e ruídos do entrelaçar das plantas de cana-de-açúcar e os pés de azedinha que compunham a horta.

 

Essas histórias nocturnas, ainda vivas nas minhas memórias passados vários anos conseguiam nos manter num estado permanente de suspense e até de algum medo pelo uso frequente de personagens que eram feiticeiras e que atormentavam as pessoas.

 

As histórias são o que de melhor podemos usar para comunicar e reter a atenção. Embora exista esse sentimento que as histórias são para as crianças, elas constituem uma das formas mais poderosas de comunicar ideias e passar informação.

 

No contexto profissional também as histórias resultam muito bem, embora estejamos nas nossas empresas e Instituições paralisados pelo “powerpoint”.

 

Ainda no outro dia durante uma formação uma menina de call-center nos contou uma lindíssima a mostrar que o modesto trabalho de rapariga de call-center tem toda a importância deste mundo.

 

Um dia alguém chamou para o call-center e se identificou como um pescador que estava em apuros pois tinha perdido os seus remos e estando sem saldo teve a feliz ideia de chamar o call-center da sua operadora a pedir ajuda (serviço gratuito).

 

O pescador pediu que se telefonasse a alguém que depois foi desenrascá-lo em alto mar.

 

Podem ver que uma simples história quão grande impacto pode ter na auto-estima da rapariga de call-center e suas colegas para entender a importância do seu trabalho

 

Mas como se monta uma história?

De forma muito simples uma história tem 3 dimensões: Contexto-Acção-Resolução.

 

O contexto deita as bases para introduzir os ouvintes no tema. Na história da rapariga de call-center o contexto dá-nos conta que um pescador solitário partiu para alto mar.

 

A acção relata o drama o conflito ou problema: no meio da pescaria em alto mar ele perde os seus remos e fica numa situação difícil com risco de ser levado pela corrente e se perder para sempre.

 

A resolução trata o desfecho do drama: ele chama o call-center da sua operadora que pede socorro em seu auxílio.

 

Capuchinho Vermelho

 

 

Contexto: Capuchinho vermelho era uma menina dócil e carinhosa que estava levando comida à avó querida que morava sozinha no meio da floresta. Pelo caminho encontrou-se com o lobo mau que falando-lhe de mansinho perguntou aonde ia.

A pequena ingénua, disse-lhe que ia visitar a avó que estava doente e que morava sozinha.

 

Acção: O lobo antecipou-se à casa da avó comendo-a e disfarçado de avozinha engole a pequenina após ela lhe perguntar “avozinha porquê é que tens essa boca tão grande”?

 

Resolução: O caçador amigo da avó que passou para ver como ela estava encontra um lobo mau de barriga cheia que ressonava deitado na cama da avozinha. O caçador corta a barriga do lobo mau libertando e salvando o Capuchinho e a avó.

 

Aquele abraço de boas histórias no vosso final de semana.

Nuno

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Era uma vez Ichimonji

Hoje dei de caras com um artigo num blog que falava sobre o realizador Japonês Akira Kurosawa. De imediato veio-me à mente um dos seus filmes que muito me marcou chamado “RAN”.

Literalmente na língua japonesa RAN está a significar “revolta”, “rebelião”, “confusão” ou “distúrbio”. O filme RAN conta o declínio de um clã que foi muito poderoso na idade média japonesa – Clã Ichimonji.

A história do filme começa quando o patriarca do clã decide repartir o controlo do seu reino pelos três filhos: Taro, Jiro e Saburo. Taro, o mais velho, recebeu o prestigioso Primeiro Castelo e foi consagrado líder do Clã Ichimonji, enquanto que ao  Jiro e ao Saburo foram dados os Segundo e Terceiro Castelos.

Hidetora que era o Patriarca, “pensou” que ele continuaria a ser O Grande Lorde, usufruindo de todas as regalias (riqueza, concubinas …) enquanto que os filhos Jiro e Saburo deveriam ajudar o Taro a governar. Para sustentar a sua decisão Hidetora contou uma parábola que continha essa lição dizendo: “três paus são mais difíceis de quebrar do que um”.

De seguida, Saburo tirou-lhe das mãos os três paus e quebrou-os batendo no seu joelho dizendo que a lição era estúpida e que o pai estava doido se pensava poder contar que os filhos lhe iriam ser leais.

O filme, uma maravilha em termos visuais prossegue mostrando o caos que se instalou no clã com intrigas, traições, mentiras e os filhos a tirarem tudo ao pai, sua guarda pessoal, suas concubinas, tudo, absolutamente tudo deixando-o a deambular como louco nas ruínas daquilo que foi um castelo.
E, através de lutas sanguinárias de poder entre si, os filhos acabam por se assassinarem uns aos outros destruindo completamente o que antes foi o poderoso Clã Ichimonji.

Era uma vez o Clã Ichimonji.

Nuno Levy

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Bikini diet

bikini

2013 está chegando, e é tempo de reflectir e aspirar ao que queremos no Ano Novo, seja uma casa nova, um carro novo, um amor novo, uma nova promoção, mais dinheiro ou porque não um bikini novo.

Mas já sabem como é, quem quer bikini tem que ter “il físico” para usá-lo e o que muitos tentam de evitar é o processo de se ter “il físico” para o bikini e esperam que por magia com se de um evento fosse de repente irão ganhar “il físico” para o bikini.

O que traumatiza os seguidores da dieta do bikini é que querem ter a beldade e o corpo mas não querem suar para lá chegar e manter-se.

A metáfora da dieta do bikini se aplica a tudo aquilo que podemos estar a aspirar neste Ano Novo, se queremos algo ou alguém muito provavelmente deveremos seguir um “processo” e não estar  à espera de um “evento”.

Queres aquela promoção? Então melhora a tua produtividade, as tuas competências de comunicação e o que for preciso para que sejas escolhido para o cargo, não esperes que isso vá  acontecer assim.

Queres uma casa nova? Então programa todo o processo desde as burocracias administrativas, de como irás encontrar o financiamento e quanto irá custar-te viver com o empréstimo e se tiveres a pensar em construir todas as dores de cabeças com o empreiteiro e outros profissionais do ramo.

És mulher e queres um físico de bikini? Então começa a comer menos e melhor, programa actividades físicas semanais, sejam caminhadas, idas a ginásios ou ginásticas de grupo, só ver-se no espelho não vai dar.

Queres mais dinheiro? Então arranja outras actividades geradoras de rendimento e não aumentes o teu consumo. Para isso poderás ter que trabalhar mais, esforçar-te para ter novas ideias e sobretudo metê-las em acção pois sem acção não irás a parte alguma.

Se te esforçares nos processos e não ficares à  espera de eventos tenho a certeza que na tua caminhada em 2013 terás muitos momentos em que estarás como os rapazes na praia com dentes cascados a apreciarem as beldades de bikini.

Feliz Ano Novo para ti e extensivos (para família, amigos …).

Aquele abraço,

Nuno

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Alô alô, n’ sta estreia nha tilivison

Quem conhece o meu amigo de infância Max, de nome completo Miguel Mendes de Sá Barbosa sabe que ele não tem papas na língua e não se deixa conter sobretudo quando a gente faz alguma burrice.

 

Acreditem ou não, consegui um dia, muito longe nos anos 80 (de 1980) chamar o meu amigo com toda a excitação da minha vida ao telefone para lhe comunicar que já tinhámos telefone em casa.

 

E o que me saiu da boca nesse momento emocionante? “Alô alô, n’ sta estreia nha tilivison”.

 

Não lhe tivesse nunca dito isto, pois até a data ainda se lembra dessa história e goza.

 

Mas até que não estava muito “fora” pois hoje em dia em casa o telefone permite trazer a TV (através da Internet). Talvez estivesse só a visionar o futuro 🙂 de hoje.

 

Bom, na verdade o que queria partilhar convosco e estou tentando matutar há vários dias era alguma história de Natal ou Final de Ano que não criasse ruídos digitais na vossa caixa de correio que deverá estar a receber Boas Festas e Feliz Ano Novo de várias formas tamanhos e dimensões.

 

Até este parágrafo a única história é do meu amigo Max que por ironia histórica hoje em dia trabalha como meu concorrente directo e imaginem só no quê? Nos telefones! Por isso sem mais delongas e mais histórias vos faços os votos de um Feliz Ano de 2013 com muitas estreias de “tilivisons”, frigoríficos, casas, amig@s etc

 

Aquele abraço,

Nuno

 

ps: num tempo não muito longe tempo o meu amigo Max que é cidadão honorário do Rio de Janeiro fez-me uma visita guiada à Cidade Maravilhosa incluíndo partida de futebol no maracanã para ver o mengão.

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Papaieta

Hoje a minha mulher pediu-me que lhe levasse a um sapateiro no bairro da Fazenda de nome “brancu”.

Veio-me logo à mente um amigo de infância nesse bairro que tinha um irmão chamado “brancu” enquanto ele tinha a alcunha de “papaieta” que derivava da alcunha do pai chamado “Nhu papá”.

“Nhu papá” um senhor já com os seus sessenta e tal anos tinha arranjado uma nova mulher de quem teve o “papaieta”.

Eles tinham um bar na rua principal do bairro da Fazenda e o “papaieta” abusando do facto do pai ser velho costumava “fisgar” notas e trocos do caixa do bar e andava sempre cheio delas a gastar muitas vezes em futilidades.

Naquele tempo a “malta” (cerveja preta) era muito apreciada por nós meninos mas nem sempre os nossos pais davam dinheiro para comprar. O “papaieta” bebia malta todos os dias que apanhava no bar dos pais e  fazia questão de o fazer na rua à frente de todos.

Um dia, eu e ele chegamos a um acordo: iria lhe dar uma lata de “corn bife” que tinha na despensa na nossa cassa e em troca ele me iria dar uma “malta”.

Não sei como o meu pai veio a descobrir essa “troca de serviços” e fechou-me no quarto dos fundos castigando-me severamente com açoites. Dos açoites que levei nem me lembro, mas não posso me esquecer do porquê:

– Tinha apanhado comida de todos lá em casa para trocar com uma garrafa de “malta” para o meu consumo individual.

Hoje, passados uns trinta anos de vez em quando vejo o “papaieta” sobretudo nas encostas marítimas da Cidade da Praia pois perdeu tudo e vive na rua ele que era um dos meninos mais velozes da nossa geração agora para além disso coxea.

Agora não nos cumprimentamos pois quando nos cruzamos ele abaixa a cabeça e desvia o olhar para o lado embaraçado, mas quanto gostaria que “nhu papá” tivesse lhe dado açoites daquele genéro que levei do meu pai.

Aquele abraço,

Nuno

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O pastor e a estrela

Pastor Sardo

Fiz umas férias fantásticas na Sardenha alguns anos atrás. Para quem não sabe a ilha da Sardenha tem uma forte cultura pastorícia. Na Sardenha têm muitas ovelhas e cabras e fazem muito queijo bom.

A ilha é linda ainda com natureza intacta (mais na parte Sul) com praias espectaculares do nível da nossa querida Boavista.

Os “Sardos” (os habitantes da Sardenha), são de estatura pequena e com uma grande tradição pastorícia como acima referi, então, acontece com frequência no interior da ilha de encontrar grupos de cabras a atravessarem a estrada no seu ritmo apaziguado e vagaroso com o “pastor sardo” atrás do grupo a guiá-lo com assobios e movimentos de corpo.

O “pastor sardo” tem a responsabilidade de levar as cabras para a pastagem e no final do dia de re-encaminhá-las para casa. O sucesso da empresa é determinada pela capacidade do pastor saber guiar as suas cabrinhas e conseguir ajudar uma ou outra que por acaso se desencaminhe do roteiro.

Os “sardos” são também exímios cavaleiros (pela sua estatura pequena e pouco peso) e muitos deles são grandes estrelas nas corridas de cavalo. Quando correm como cavaleiros o objectivo é ir o mais depressa possível e ultrapassar o resto dos concorrentes.

A diferença entre o “pastor sardo” e a “estrela” é a mesma que existe entre uma boa liderança e uma péssima.

O bom líder tem como objectivo desenvolver as capacidades e competências do grupo e quase por ironia é aquele que está atrás do grupo. Ao bom líder interessa que o o grupo chegue ao destino mesmo se ele tiver que ir mais devagar.

O péssimo líder é aquele que pensa que liderança é ele chegar em primeiro lugar, sem se preaucupar com o grupo. O péssimo líder é do tipo “quando saiu da empresa as coisas deixaram de funcionar”, quer dizer que apesar de todos os anos que ele passou como “líder” não soube ajudar os outros a desenvolverem.

O grande apresentador é como o “pastor sardo” ele pensa somente na plateia, em como ajudá-la a desenvolver-se, no quê está interessada e gosta.

O apresentador medíocre é como a estrela, pensa só num vencedor – ele mesmo – e desinteressa-se por completo da plateia só se interessa por ele mesmo e pelo seu Powerpoint e ego.

Se quiseres ser um grande apresentador e líder começa “pastorar”.

Aquele abraço,
Nuno

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Il palio di Siena

Il palio di Siena

Ainda decorre a novela passione na Televisão de Cabo Verde. Algumas partes desta novela são filmadas na Toscana uma das regiões mais bonitas da Itália e do mundo.

Aparece com frequência imagens de uma cidadezinha medieval chamada Siena.

Siena é a “minha cidade” aonde vivi por cerca de 9 anos e tem uma tradição cultural única e potente: Il palio di Siena.

Il palio di Siena é uma corrida de cavalos que tem como pista uma praça (a principal praça da Cidade, chamada piazza del campo). Todos os anos, a praça que tem a forma de uma concha redonda gigante é enchida de terra para se fazer a pista de cavalos.

Para além do pista de corrida il palio tem várias outras particularidades como o facto dos cavaleiros competirem sem sela nos cavalos e o início da corrida seja feito à sorte.

Mas, como se faz esse sorteio?

Bom, são 10 cavalos a concorrerem, o juíz da corrida mete os nomes dos cavalos numa caixa e começa a tirar os nomes um a um até o nº 9. Os cavalos vão se posicionando na ordem do sorteio da esquerda para a direita.

O 10º cavalo fica atrás da linha de partida separado dos cavalos em fila por uma corda que deixa somente espaço para poder entrar na linha de partida.

A corrida não parte enquanto o 10º cavalo não entrar na linha de partida. O 10º cavaleiro, pondera com muito cuidado como vai entrar pois parte atrás de todos.

O início da nossa apresentação tem que ser no estilo da partida do palio di Siena. Temos que pensar como o 10º cavaleiro e ponderar como vamos começar, pois se perdermos a plateia no início vai ser difícil recuperâ-la mais à frente.

O início da nossa apresentação deve ser forte e segurar a atenção da plateia presente assim como um bom cavaleiro segura as rédeas do seu cavalo.

O início da nossa apresentação deve ser preparado e praticado (ensaiado) em voz alta antes da apresentação. Como diz o ditado “a primeira impressão conta”, e é verdade.

Mas como iniciar a nossa apresentação?

Eu gosto de histórias. As pessoas gostam de histórias. Conte uma história.

Aquele abraço,
Nuno

PS: já estão a preparar “il palio del fine settimana”?

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Ferdinand e a Vaca

Babe The Film

Num filme de 2005 chamado “Babe o porquinho” existe um diálogo interessante quando os animais da quinta espreitavam pela janela da cozinha para verem a quem calhou ser o “jantar” de Natal. Calhou à pobre Roseane uma pata muito querida.

Eis o diálogo:

Ferdinand (pato) – Mas porquê a Roseana, ela tem uma natureza tão nobre. Isso é demais até para um pato. Essas coisas são uma dor na alma.

Vaca – É assim a vida temos de aceitar as coisas assim como elas são.

Ferdinand (pato) – As coisas são uma porcaria.

O pato Ferdinand tem um caracter rebelde que não aceita as coisas e discute que não deveriam ser assim ou assado.

A vaca é do genéro resignado com a vida e que aceita as coisas sem fazer nada.

Ambos os carateres, do Ferdinand e da vaca funcionam numa óptica de espiral negativa e fazem lembrar muito as pessoas que querem fazer algo na sua vida mas deixam-se levar pela espiral para baixo.

Pelo contrário devemos ver a realidade no presente e a partir daí explorar as possibilidades, sem nos deixar transportar pelo “Ferdinand” que fecha todas as portas e possibilidades ao focar a sua atenção no “não deveria ser assim”.

Nem deveremos ser como a vaca que aceita resignada o que o mundo lhe dá.

ATENÇÂO que ver a realidade no presente não é o mesmo que aceitar a realidade. Ver a realidade no presente é ver os factos no momento actual e a seguir procurar possibilidades.

Nos anos setenta dois estudantes universitários Americanos foram para a Índia enquanto um deles viu esta realidade num tom chocante e derrotista:

” Milhares de pessoas pela ruas enlameadas todos descalços”, o seu amigo responde-lhe com um brilho nos olhos “vê só o negócio dos sapatos”.

O segundo, regressou para os Estados Unidos de América e fabricou uns sapatos de plásticos (comunalmente ditos chupa cacá em Cabo Verde) e vendeu milhões à Índia. Aquele estudante chamava-se Tom Mackain e é um milionário.

Tudo depende de como vemos a realidade, mesmo se as coisas não estiverem a correr a maravilhas há sempre possibilidades a serem exploradas, mas é preciso ver primeiro o que o presente nos apresenta como realidade e sem sentimentalismos evitando de agir como o Ferdinand ou a vaca, vermos a partir daí que possibilidades temos.

Aquele abraço,

Nuno

PS: não tenho desculpas por este silêncio prolongado da nossa newsletter, espero somente que esteja tudo bem consigo e família

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